domingo, 27 de julho de 2008

Eu paguei três reais e cinquenta centavos em uma garrafa long neck de Stella Artois ontem à noite e acabei de almoçar.

Quando a garota suja me pediu esmola na frente da padaria, a minha primeira reação foi ignorá-la. Entrei e comprei uma recarga de dezesseis reais para o meu celular.
Quando saí, a garota me abordou novamente, desta vez pedindo dinheiro para comer.
Bem, não custaria muito, e na verdade foram dois reais. Só que não foi por caridade, nem pela benção que ela me lançou depois de pedir um pão com manteiga e um café com leite para a balconista.
Eu tinha dito: e então, o que é que vai ser? pode entrar e pedir que eu te pago.
Ela entrou suja na padaria e se dirigiu à balconista e eu, eu disse eu pago. Enquanto a moça preparava a média, eu fiquei desconfortavelmente parada ao lado da menina suja, sem dentes - deus te abençôe. Acho que eu nem agradeci. Fiquei pensando, será que eu pergunto desde quando ela não come, se ela mora sozinha na rua, se tem um nome. Eu só sabia da sua fome. E nem tanto por ela, mais por uma obrigaçào social, eu dei os dois reais me sentindo como se estivesse correndo daquele mal-estar social. Penso em suas gengivas sem dentes, no pão com manteiga (_quente?; _quente. deus te abençôe, moça.).

deus nos salve, garota.

sábado, 26 de julho de 2008

sobre denominações

Eu posso esperar você chegar, qual a sua graça?, e fingir não saber que você me conhece e que se esqueceu disso; inventar qualquer coisa do tipo leidiscléia ou nomes híbridos só pra ver a sua reação: se levanta-se ou não. Então eu rio e digo, vou adivinhar seu nome, chutando pedro, mesmo sabendo que o certo é marcelo, só pra ver sua reação: se sustenta uma mentira ou não.
Eu sei que o dano seria pequeno, mas é só o hábito das incursões antropológicas... desculpe, eu sou mais pra dentro que pra fora e eu me divirto com a sua cara.