quarta-feira, 28 de maio de 2008

Vem sentar-te comigo, Lídia.

Pessoa:
"Eu nada terei que sofrer ao lembrar-me de ti.
Ser-me-ás suave à memória lembrando-te assim - à beira-rio,
Pagã triste e com flores no regaço."




Choro #1
“Eu não quero mais.”

Na verdade, o primeiro foi da Patrícia e só então veio o meu.
E o motivo foi meio confuso.
Primeiro foi um “anda logo!” e logo eu respondi “diz logo o que foi” e quando percebi que ela também já tinha aquela deformação no rosto decorrente das lágrimas pedindo pra sair, as minhas caíram, sem que eu percebesse. Só pensei nas pessoas erradas. Já foi. Ou é o papai ou é a mamãe.
“É a vovó.”

E mesmo assim doeu, não menos do que se algum dos palpites estivesse certo.
Parei.
Eu sempre tenho essas reações no estilo paralisia.
Eu não quero mais e mãos no rosto e e agora?

Não vai dar tempo de pegar o avião e o papai também não está lá, mas a caminho.
Então pára com isso, não no sentido literal de estacar no lugar, porque você tem que continuar andando, não vai dar tempo de pegar o avião. Pára com esse choro que eu também choro, e isso é normal, apesar de eu não conseguir parar de chorar, mas deve ser.

Sejamos racionais.
E eu não queria ir. É só esquecer.
Porque essas conjecturas sobre a morte não são válidas enquanto você tem que viver. É perda de tempo.
No entanto é melhor aproveitar a situação justamente para discorrer tudo aquilo que você pensa sobre a morte – é oportuno.

quinta-feira, 1 de maio de 2008

Minha vida não se restringe, porém se baseia em praticar mentalmente diálogos hipotéticos na esperança de que um dia eles se tornem realidade,
ou não.
No caso da sentença negativa, talvez venham a ser ficção impressa, quem sabe audiovisual.
Por agora, enquanto monólogos internos, eu me contento em deixá-los inconscientes para que sejam sonho vezenquando, ou para que se exprimam em acordes cujo som sai por causa desses meus dedos finos, insistentes em se apoiarem no braço desse violão que encosta gentilmente em meu peito; por causa dessa minha mão que pouco se parece comigo, tamanho XS de loja de departamento americana e ainda assim velha na pele, enrugada de aparência.
Então, eu canto. Senão, as palavras motivam os braços a se mexerem compassados ao lado do corpo, eu
ando
ando
ando antes de
encontrar na esquina o som da resposta que muito poderia ter saído da boca de outro alguém, porém vem de dentro.
A música se torna o sorriso entre os meus lábios, abertos na solidão da rua para qualquer transeunte e eu,


eu continuo.