Oco assim, não fisicamente. Talvez tivesse aquela inerência barata de carne e sangue, não mais que e tão somente um ser humano. Mal ficava ali em pé, mas ainda assim inerte. Não iria, não voltaria.
Dos dois lados eu via nele a mesma coisa. Parecia até um sinal estático, sem abertura para uma significação diferente.
Alto e altivo, o cigarro lentamente se perdendo entre os seus dedos. Acho mesmo que ele era um ser vazio de intenção, como a pedra fixa na calçada, estando ali por isso mesmo e portanto nada de vontade, nem ao menos de sê-lo, quanto mais difícil seria de querer mudá-lo.
Eu me sentia a fumaça saindo daquele cigarro, resultado de algo que se perde. Alguns milhares de substâncias tóxicas que ele inspirava porque respirava. Eu ardendo em seu nariz sem motivar um sinal sequer de desconforto, fazendo mal aos poucos sem deixar de ser fraca. Correndo o risco de matar sem ter essa intenção - e já agora me isento de qualquer possível dano que eu venha a causar; sempre pedindo desculpas antes de entrar.
Só que eu, aquilo? Não poderia.
Eu não vicio.
segunda-feira, 31 de março de 2008
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